Aqui está o meu trabalho sobre Schubert:
(Peço desculpa pelos eventuais erros que possa ter :S )
FRANZ PETER SCHUBERT
F. P. Schubert Nasceu a 31 de Janeiro de 1797 em Himmelpfortgrund, um pequeno subúrbio em Viena, onde morreu 31 anos mais tarde. Franz Schubert fora um dos mais distintos compositores que marcara a passagem do classicismo para o romantismo.
Ao longo da sua vida não teve grande reconhecimento do seu talento perante o público e teve inúmeras dificuldades em assegurar um emprego permanente, vivendo a última fase da sua vida à custa dos amigos e do trabalho que o seu pai lhe arranjava.
Filho de Franz Theodor Florian Schubert e de Elisabeth Vietz, Franz Schubert foi um dos cinco filhos afortunados entre Ignaz, Ferdinand, Karl,e Theresa, dos catorze, que não faleceram na infância. Aos cinco anos iniciou a sua instrução regular com o seu pai. Aos seis, como era habitual, entrou para o colégio de Lichtenthal. Ao mesmo tempo iniciava a sua educação musical. O pai leccionava-lhe violino e Ignaz, seu irmão, pianoforte. Aos sete anos já tinha ultrapassado os seus mestres. Foi então estudar com Kapellmeister Michael Holzer, tendo aprendido mais com um colega seu, que o levava a um armazém de pianofortes, onde tocava, do que com ele. A primeira fase da sua aprendizagem fora insatisfatória.
A 30 de Setembro de 1808, o pai de Schubert, F. T. F. Schubert, levou o seu filho a um concurso de coristas da capela imperial, onde António Salieri, compositor oficial da corte iria seleccionar novos cantores talentosos. Schubert entrou, devido à sua doce voz de tessitura “soprano“. Ganhou ainda uma bolsa de estudo em Stadtkonvikt, um dos melhores colégios de Viena. Permaneceu nesse mesmo colégio até aproximadamente aos seus 17 anos. Foi nesse colégio, que conheceu Spaun, Stadler e Holzapfel, amigos, que o ajudavam monetariamente comprando-lhe, por exemplo, papel pautado, que ele próprio não podia pagar. Davam-lhe ainda apoio moral reconhecendo nele os seus talentos musicais. É ainda neste colégio, que Schubert entra em contacto com as sinfonias de Mozart e ganha interesse pela música de câmara. Desse interesse, surgiu um quarteto composto pelos dois irmãos, que tocavam violino, o pai, que tocava violoncelo e o próprio Schubert a tocar viola. Apresentavam concertos regulares aos domingos e feriados. No seu tempo em Stadtkonvikt, escrevera: música de câmara, Lieder, peças para pianoforte, um kyrie, um salve Regina, a sua primeira sinfonia e ainda um octeto para sopros em honra da morte da sua mãe, que morrera em 1812.
Em 1813, deixou o conservatório e para evitar serviço militar obrigatório, começou a leccionar no colégio do seu pai, como professor primário. Entretanto, o pai de Schubert, volta a casar-se com Anna Kleyenboeck. Durante dois anos, Schubert suporta o trabalho proporcionado pelo pai, apesar do mesmo não lhe agradar. Enquanto ensinava tinha ainda aulas particulares com Salieri, que o acusava de plagiar Haydn e Mozart. Em 1814, F. Schubert entra num namoro com Teresa, uma cantora, da família Grob. A sua relação acaba por terminar dois anos depois (1816), devido à incapacidade, de Schubert manter um emprego permanente. Em 1814, Schubert compõe: a sua primeira ópera completa Des Teufels Lustschloss, uma Missa em fá maior, três Quartetos de cordas e 17 Lieder, entre os quais se encontram “Der Taucher” e “Gretchen am Spinnrad” (lamento de Margarida), da obra de Goethe, Faust.
O ano, em que Schubert escreveu mais obras, foi em 1815. Compôs a sua segunda sinfonia em si bemol, a sua terceira sinfonia em dó maior e ainda duas missas em sol e si bemol. Entretanto, escreve ainda cinco óperas: “Der vierjährige Posten”, “Fernando” e “Claudine von Villabella” completas e “Adrast” e „Die Freude von Salamanka“, que ficaram incompletas. No Inverno deste mesmo ano (1814/1815) conhece o poeta Johann Mayrhoffer e, como era habitual nas suas relações, levou a uma amizade sólida.
Assim como 1815 foi o período mais prolífico da vida de Schubert, em termos quantitativos, 1816 foi a época de viragem no que diz respeito à sua vida. Spaun, amigo de Schubert, descobre que este está a compor entre uma série de trabalhos escolares, „O Rei dos Álamos“, também traduzido por „O Rei dos Elfos” ou „Erlkönig“ de um poema de Goethe. Von Schober, estudante de direito que ouviu canções de Schubert serem interpretadas em casa de Spaun, convidou Schubert a ir para sua casa onde poderia compor em paz, sem se preocupar com actividades escolares. Schubert, com o consentimento do pai, mudou-se então para casa de Von Schober na Primavera de 1816. Por algum tempo, Schubert, ainda tentou contribuir com alguns rendimentos para sustentar a sua família, dando aulas de música, mas rapidamente as abandonou, dedicando-se inteiramente à composição. "Escrevo todo o dia", disse um dia a alguém que o visitava, "e quando acabo uma peça, começo outra". Em 1816 escrevera, entrae outras obras, três cantatas cerimoniais, duas novas sinfonias, a quarta em dó menor (a “Trágica”) e a quinta, em si bemol. Escreveu ainda mais de 100 Lieder (canções) a partir de textos, baladas, dramas e poemas de Johann Wolfgang com Goethe e Friedrich von Schiller. Escreveu ainda uma ópera “Die Bürgschaft” sobre uma balada de Schiller. O poeta Mayrhofer, amigo que Schubert conhecera no inverno de 1814/1815, apresenta-o a Vogl, um barítono famoso da época, que lhe presta um grande favor ao interpretar os seus Lieder nos salões de Viena. Ainda Gahy, um pianista de renome, tocava as suas sonatas e fantasias e os Sonnleithners, uma rica família da burguesia, organizava, em sua honra, reuniões musicais a que, rapidamente, se deu o nome de „Schubertíadas“. Assim Schubert, com a ajuda dos seus amigos, conseguia pagar a alimentação e o alojamento sem grande dificuldade. Nesta altura, Schubert era o „líder das tertúlias e festas“. Era conhecido como „kann er was?“ (alcunha: “Ele é capaz?”).
Em 1818 deu-se a primeira apresentação pública de uma obra de Schubert. Uma abertura ao estilo italiano tocada com num concerto numa prisão, a 1 de Março (1818). Foi também o início da sua única nomeação oficial, como Mestre de Música da família do Conde Johann Esterhazy em Zelesz. Em 1818 encontramos obras como a Sinfonia em Dó maior, algumas peças para pianoforte a quatro mãos e alguns Lieder como por exemplo „Einsamkeit“ („solidão“) ou „Marienbild“. Ao regressar a Viena, descobre que Von Schober já não lhe pode fornecer alojamento. Schubert passa então a viver com Mayrhofer. Aí, os seus hábitos não mudam muito: todas as manhãs começa a compor assim que sai da cama, escreve até às duas da tarde, altura em que come algo. Sai de passeio e volta de novo para compor ou, no caso de não estar disposto a isso, visita os amigos. A 28 de Fevereiro de 1819 apresenta-se, pela primeira vez, como escritor de Lieder, ao público, quando o seu Lied „Schäfers Klagelied“ é interpretado num concerto numa prisão. No Verão de 1819, Schubert vai com Vogl até Steyr, onde escreve o quinteto para piano em lá („la Truta“) (muito famoso). Escreve ainda três das suas canções a Goethe, que ao que se sabe, não lhe respondeu. Em 1820 escreve a sua oratória inacabada "Lazarus", mais tarde, seguiram-se, entre outras obras de menor dimensão, o Salmo 23 ("O Senhor é meu Pastor"), o Gesang der Geister , o Quarteto para cordas nº 12 em Dó menor e a grande "Fantasia Wanderer" para piano. Mas o mais interessante, em termos biográficos, foi o facto de, neste ano, duas das óperas de Schubert terem sido estreadas no teatro Karthnerthor: Die Zwillingsbrüder "Os irmãos gémeos" a 14 de Junho, e Die Zauberharfe ("A Harpa Mágica" ou "A Harpa Encantada") a 19 de Agosto. Quando o seu amigo Vogl canta o seu Erlkönig num concerto, no teatro Kärnthnerthor a 8 de Fevereiro de 1821, é que Anton Diabelli aceitou, com algumas hesitações, publicar algumas das suas obras sob comissão. As primeiras sete obras com número de opus (todas elas Lieder) foram publicadas nestes termos. Em 1821 a obra „Alfonso und Estrella“ é recusada e o mesmo acontece com “Fierabras“. Estas obras eram de interpretação incrivelmente dificil. ("Fierabras", por exemplo, é constituído por mais de 1000 páginas de partitura manuscrita). „Die Verschworenen“ ("Os conspiradores"), foi proibida pela censura e "Rosamunde" ("Rosamunda, princesa do Chipre), ficou incompleta, depois de duas noites de trabalho, devido à insignificância do libreto. Em 1822 é apresentado a Weber e a Beethoven, mas isso terá pouca influência na sua vida. De todos, estes são os anos mais negros da sua vida. Neste ano completou ainda a Missa em Lá bemol e começou a "Sinfonia inacabada" ou "Sinfonia incompleta" (Sinfonia nº 8 em Si menor).
Em 1824 escreve o Octeto em Fá maior, que segundo musicólogos era o esboço de uma grande sinfonia. Escreve ainda o „Divertimento à húngare“ e o quarteto para cordas em Lá menor. Muitos biógrafos referem, neste passo, a discutida paixão de Schubert pela Condessa Caroline Esterhazy, sua aluna. Esta paixão era no entanto impossível de se concretizar devido a condição social de Schubert. Escreveu ainda algumas variações sobre o tema Trockne Blumen ("Flores secas") destes Lieder. A sonata „Arpeggione“ para piano e Arpeggione foi uma interessante tentativa de valorizar um instrumento musical pesado e, hoje, obsoleto. Esta peça tem sido, entretanto, adaptada a outros instrumentos, sendo usualmente tocada com piano e violoncelo ou piano e viola.
"Sinto-me o homem mais infeliz e desventurado deste mundo. (...) Creio que nunca voltarei a estar bem, e tudo o que faço para tentar melhorar minha situação, na realidade, a torna pior". (Escritos endereçados a um amigo, em 1824.) Em 1825 Schubert consegue estabilizar a sua situação financeira e volta a viajar à Alta Áustria onde escreveu as “Canções de Sir Walter Scott". É neste ciclo que se insere a famosa "Ave Maria". Os Lieder Die schöne Müllerin ("A Bela Moleira") e muitas outras das suas melhores canções foram escritas em também em 1825. De 1826 a 1828, Schubert residiu sempre em Viena, se exceptuarmos uma breve visita a Graz, em 1827. No inverno de 1825-1826, escreveu o quarteto de cordas em Ré menor, com as variações sobre o tema A Morte e a Donzela e mais tarde, nesse mesmo ano, escreveu o "Quarteto de cordas em Sol maior", "Rondeau brilhante" para piano e violino e a Sonata para Piano em Sol, que foi impressa sem o título "Fantasia" que Schubert lhe havia dado. A estas obras há a acrescentar as três canções baseadas em poemas de Shakespeare, das quais "Hark! Hark! the Lark" e "Who is Sylvia?" foram escritas no mesmo dia. Em 1827, escreveu a "Viagem de Inverno" „Winterreise“ , a fantasia para piano e violino em Dó e os dois trios para piano (Si bemol e Mi bemol). Em 1828 a Sinfonia em Dó maior, "a Grande", a Missa em Mi bemol, o belo Tantum Ergo e as últimas três Sonatas para piano e o conjunto de canções publicadas postuamente com o lírico título de Schwanengesang ("O Canto do Cisne“). Seis destas canções têm letra deHeinrich Heine.
Schubert morre a 19 de Novembro de 1828 na casa do seu irmão Ferdinand, em Viena, aos 31 anos de idade, de febre tifóide, mas já desde 1822 que sofria de sífilis. Algumas das suas peças de menor dimensão foram impressas pouco depois da sua morte, mas aquelas que hoje são consideradas mais importantes foram vistas pelos editores como papel desperdiçado. Em 1838, Robert Schumann, numa visita a Viena, encontra o manuscrito poeirento da Sinfonia em Dó maior, (a "Grande", D.944) e levou-a consigo para Leipzig.
“Muitos concordam com a frase de Franz Liszt, que se refere a Schubert como "le musicien le plus poète qui fut jamais." - "O mais poeta dos músicos de sempre". Escreveu a sua música sempre de forma precipitada e raramente mudava algo que já estava escrito. Daí que a característica fundamental da sua obra seja um certo sabor a improviso: é por isso que adjectivações como fresco, vivo, espontâneo, impaciente, moderado, rico em matizes sonoras, caloroso, sentimental e imaginativo são frequentemente utilizadas. É por muitos considerado o maior autor de canções que alguma vez existiu. O Lied alemão não seria, de forma alguma, o mesmo sem Schubert. Em geral, as suas obras são marcadas pelo paradigma da canção. Até nas suas missas parece que se irrita com as secções contrapontísticas, empregando toda a sua alma nas partes que lhe permitem um tratamento mais lírico. Poder-se-ia dizer que era como um cantor (que foi, efectivamente) que transportou para todo um vasto campo musical a forma artística que mais amou.” (Wikipédia).
Lied: Palavra alemã (género neutro; pl. Lieder) que em português equivale a “canção”. Nos países germanófonos, o termo é frequentemente empregue para designar uma qualquer melodia vocal, eventualmente acompanhada por um ou mais instrumentos, baseada num dado poema.
Em geral o Lied (na Alemanha, esta forma musical é chamada de Kunstlied) assume um papel fundamental no séc. XIX. Os compositores da época romântica viram na canção popular o elemento primitivo e original, característico e nacional. Transmitidas pela tradição oral, os Lider populares foram cantados especialmente pelas camadas mais simples do povo. Estas serviram de grande inspiração para compositores como Schumann e Schubert. Como Lied propriamente dito entendia-se a canção estrófica simples. Os Lieder cantavam-se em casa, com acompanhamento de piano ou guitarra, entre amigos e conhecidos, e raramente em salas de concerto. Isto explica o seu carácter intimista. Também existia um grande interesse pelos textos e os poetas, com a intenção de alcançar uma melhor compreensão do Lied. Havia então Lieder de todos os géneros: segundo a sua forma e conteúdo: arieta, cavatina, cana e ária, cantata para solista, hino, ode, canção em estilo popular. Segundo o número de intervenientes: canções para solistas, duetos, tercetos e quartetos assim como canções para coro. Os Lieder de Schubert podem ser agrupados em três categorias:
1- Lied estrófico simples (melodia e o acompanhamento não diferem de estrofe para estrofe, exemplos: “Heidenröslein” (1815) ou “Das Wandern” (1823))
2-Lied estrófico variado (melodia e acompanhamento mudam em determinadas estrofes, exemplo: exposição (duas estrofes idênticas), enano (terceira estrofe desenvolvida), retorno (como no inicio) exemplo: Forelle).
3-O Lied desenvolvido (melodia e acompanhamento em função do texto são sempre novos, exemplo: “Rastlose Liebe” (1815) ou “Der Doppelgänger”).
Seria demasiado exaustivo enumerar todos os que cultivaram o género, cabendo aqui destacar essencialmente o nome de Franz Schubert, um jovem romântico vienense que elevou o Lied à sua mais sublime expressão, tendo composto no decurso da sua breve vida muito mais de seis centenas de peças deste género—um legado que acabou por constituir uma referência incontornável para muitos dos compositores posteriores. Explorou os universos afectivos e espirituais de obras poéticas tão diversas como as de Johann Gottfried von Herder (6), Johann Wolfgang von Goethe (86), Friedrich von Schiller (46), Heinrich Heine (6) ou Wilhelm Müller—poeta que lhe inspiraria dois dos três ciclos de Lieder por ele compostos, nomeadamente Die schöne Müllerin e Winterreise. Nos seus celebrados Lieder, buscaria sempre o melhor balanço entre a palavra e a música, entre o intimismo da lírica e a subtileza das melodias, entre as oscilações da tensão dramática e os desenvolvimentos temáticos.