Domingo, 7 de Março de 2010

Die Fledermaus



DIE FLEDERMAUS | O MORCEGO
JOHANN STRAUSS (1825-1899)
FICHA TÉCNICA

Opereta em três actos.
Libreto de Carl Haffner e Richard Genée segundo La Réveillon (1872) de Henri Meilhac e Ludovic Halévy.
Estreada em 1874 em Viena (Theater an der Wien), Áustria.
Estreada em 1981 em Lisboa (TNSC), Portugal.

Direcção Musical Julia Jones
Encenação Katharina Thalbach
Cenografia Momme Röhrbein
Figurinos Angelika Rieck
Coreografia Danny Costello
Desenho de Luz Pedro Martins

Autoria de textos de Frosch João Quadros

Orquestra Sinfónica Portuguesa
Coro do Teatro Nacional de São Carlos



Nova produção
TNSC

INTÉRPRETES

Rosalinde Edith Lienbacher
Gabriel von Eisenstein Will Hartmann
Adele Carla Caramujo
Dr. Falke Bernd Weikl
Frank Luís Rodrigues
Orlofsky Kristina Wahlin
Alfred Mário Alves
Dr. Blind Carlos Guilherme
Frosch Maria Rueff
Ida Nadine Schori
Ivan Gonçalo Ferreira de Almeida


SINOPSE
A obra de Johann Strauss (filho) está intimamente ligada à evolução da Valsa vienense na segunda metade do século XIX. Integrado numa família de músicos, todos ligados a este género de música de dança, Johann Strauss terá sido aquele que mais se destacou, ao refinar formalmente o género, popularizando-o tanto nos salões de dança como nas salas de concertos. O enorme sucesso das suas obras coloca-o mesmo como um dos mais bem sucedidos compositores de todos os tempos. A sua habilidade para a escrita melódica e a subtileza da orquestração levarão à estilização e elevação de um género inicialmente conotado com o meio rural e popular, tendo compositores da chamada música erudita, seus contemporâneos, como Wagner, Brahms ou Richard Strauss, elogiado entusiasticamente o seu domínio nesta arte.
A partir de 1870, com o desenvolvimento e popularização da Opereta e com as primeiras encomendas dos teatros vienenses, Strauss desviaria a sua criatividade para este outro género sem deixar, no entanto, de usar, nessas produções, a Valsa como mote central. Composta num período de trabalho de apenas seis semanas e estreada em 1874, Die Fledermaus tornar-se-ia uma das operetas mais encenadas de toda a história do género. Ao adaptar a história original, uma comédia ligeira cheia de malentendidos amorosos e jogos de engano, de uma festa de réveillon para um baile vienense, os libretistas garantiram não só uma maior identificação do público austríaco como o máximo aproveitamento da arte do compositor. A Valsa, música de dança vienense por excelência, enquanto género e forma, atravessa, assim, subtilmente, toda a opereta, tendo muitos dos seus números ganho mesmo posterior autonomia nos salões de baile oitocentistas e nas salas de concerto já no século XX. Texto: Tiago Cutileiro e Marta Navarro


Domingo, 21 de Fevereiro de 2010

Summertime George Gershwin (nascido Jacob Gershowitz)

Summertime: Ella Fitzgerald & Louis Armstrong interpretam George Gershwin (nascido Jacob Gershowitz)

video

Sábado, 13 de Fevereiro de 2010

FRANZ PETER SCHUBERT

Aqui está o meu trabalho sobre Schubert:
(Peço desculpa pelos eventuais erros que possa ter :S )


FRANZ PETER SCHUBERT

F. P. Schubert Nasceu a 31 de Janeiro de 1797 em Himmelpfortgrund, um pequeno subúrbio em Viena, onde morreu 31 anos mais tarde. Franz Schubert fora um dos mais distintos compositores que marcara a passagem do classicismo para o romantismo.


Ao longo da sua vida não teve grande reconhecimento do seu talento perante o público e teve inúmeras dificuldades em assegurar um emprego permanente, vivendo a última fase da sua vida à custa dos amigos e do trabalho que o seu pai lhe arranjava.
Filho de Franz Theodor Florian Schubert e de Elisabeth Vietz, Franz Schubert foi um dos cinco filhos afortunados entre Ignaz, Ferdinand, Karl,e Theresa, dos catorze, que não faleceram na infância. Aos cinco anos iniciou a sua instrução regular com o seu pai. Aos seis, como era habitual, entrou para o colégio de Lichtenthal. Ao mesmo tempo iniciava a sua educação musical. O pai leccionava-lhe violino e Ignaz, seu irmão, pianoforte. Aos sete anos já tinha ultrapassado os seus mestres. Foi então estudar com Kapellmeister Michael Holzer, tendo aprendido mais com um colega seu, que o levava a um armazém de pianofortes, onde tocava, do que com ele. A primeira fase da sua aprendizagem fora insatisfatória.
A 30 de Setembro de 1808, o pai de Schubert, F. T. F. Schubert, levou o seu filho a um concurso de coristas da capela imperial, onde António Salieri, compositor oficial da corte iria seleccionar novos cantores talentosos. Schubert entrou, devido à sua doce voz de tessitura “soprano“. Ganhou ainda uma bolsa de estudo em Stadtkonvikt, um dos melhores colégios de Viena. Permaneceu nesse mesmo colégio até aproximadamente aos seus 17 anos. Foi nesse colégio, que conheceu Spaun, Stadler e Holzapfel, amigos, que o ajudavam monetariamente comprando-lhe, por exemplo, papel pautado, que ele próprio não podia pagar. Davam-lhe ainda apoio moral reconhecendo nele os seus talentos musicais. É ainda neste colégio, que Schubert entra em contacto com as sinfonias de Mozart e ganha interesse pela música de câmara. Desse interesse, surgiu um quarteto composto pelos dois irmãos, que tocavam violino, o pai, que tocava violoncelo e o próprio Schubert a tocar viola. Apresentavam concertos regulares aos domingos e feriados. No seu tempo em Stadtkonvikt, escrevera: música de câmara, Lieder, peças para pianoforte, um kyrie, um salve Regina, a sua primeira sinfonia e ainda um octeto para sopros em honra da morte da sua mãe, que morrera em 1812.
Em 1813, deixou o conservatório e para evitar serviço militar obrigatório, começou a leccionar no colégio do seu pai, como professor primário. Entretanto, o pai de Schubert, volta a casar-se com Anna Kleyenboeck. Durante dois anos, Schubert suporta o trabalho proporcionado pelo pai, apesar do mesmo não lhe agradar. Enquanto ensinava tinha ainda aulas particulares com Salieri, que o acusava de plagiar Haydn e Mozart. Em 1814, F. Schubert entra num namoro com Teresa, uma cantora, da família Grob. A sua relação acaba por terminar dois anos depois (1816), devido à incapacidade, de Schubert manter um emprego permanente. Em 1814, Schubert compõe: a sua primeira ópera completa Des Teufels Lustschloss, uma Missa em fá maior, três Quartetos de cordas e 17 Lieder, entre os quais se encontram “Der Taucher” e “Gretchen am Spinnrad” (lamento de Margarida), da obra de Goethe, Faust.
O ano, em que Schubert escreveu mais obras, foi em 1815. Compôs a sua segunda sinfonia em si bemol, a sua terceira sinfonia em dó maior e ainda duas missas em sol e si bemol. Entretanto, escreve ainda cinco óperas: “Der vierjährige Posten”,Fernando” e “Claudine von Villabella” completas e “Adrast” e „Die Freude von Salamanka“, que ficaram incompletas. No Inverno deste mesmo ano (1814/1815) conhece
o poeta Johann Mayrhoffer e, como era habitual nas suas relações, levou a uma amizade sólida.

Assim como 1815 foi o período mais prolífico da vida de Schubert, em termos quantitativos, 1816 foi a época de viragem no que diz respeito à sua vida. Spaun, amigo de Schubert, descobre que este está a compor entre uma série de trabalhos escolares, „O Rei dos Álamos“, também traduzido por „O Rei dos Elfos” ou „Erlkönig“ de um poema de Goethe. Von Schober, estudante de direito que ouviu canções de Schubert serem interpretadas em casa de Spaun, convidou Schubert a ir para sua casa onde poderia compor em paz, sem se preocupar com actividades escolares. Schubert, com o consentimento do pai, mudou-se então para casa de Von Schober na Primavera de 1816. Por algum tempo, Schubert, ainda tentou contribuir com alguns rendimentos para sustentar a sua família, dando aulas de música, mas rapidamente as abandonou, dedicando-se inteiramente à composição. "Escrevo todo o dia", disse um dia a alguém que o visitava, "e quando acabo uma peça, começo outra". Em 1816 escrevera, entrae outras obras, três cantatas cerimoniais, duas novas sinfonias, a quarta em dó menor (a “Trágica”) e a quinta, em si bemol. Escreveu ainda mais de 100 Lieder (canções) a partir de textos, baladas, dramas e poemas de Johann Wolfgang com Goethe e Friedrich von Schiller. Escreveu ainda uma ópera “Die Bürgschaft” sobre uma balada de Schiller. O poeta Mayrhofer, amigo que Schubert conhecera no inverno de 1814/1815, apresenta-o a Vogl, um barítono famoso da época, que lhe presta um grande favor ao interpretar os seus Lieder nos salões de Viena. Ainda Gahy, um pianista de renome, tocava as suas sonatas e fantasias e os Sonnleithners, uma rica família da burguesia, organizava, em sua honra, reuniões musicais a que, rapidamente, se deu o nome de „Schubertíadas“. Assim Schubert, com a ajuda dos seus amigos, conseguia pagar a alimentação e o alojamento sem grande dificuldade. Nesta altura, Schubert era o „líder das tertúlias e festas“. Era conhecido como „kann er was?“ (alcunha: “Ele é capaz?”).

Em 1818 deu-se a primeira apresentação pública de uma obra de Schubert. Uma abertura ao estilo italiano tocada com num concerto numa prisão, a 1 de Março (1818). Foi também o início da sua única nomeação oficial, como Mestre de Música da família do Conde Johann Esterhazy em Zelesz. Em 1818 encontramos obras como a Sinfonia em Dó maior, algumas peças para pianoforte a quatro mãos e alguns Lieder como por exemplo „Einsamkeit“ („solidão“) ou „Marienbild“. Ao regressar a Viena, descobre que Von Schober já não lhe pode fornecer alojamento. Schubert passa então a viver com Mayrhofer. Aí, os seus hábitos não mudam muito: todas as manhãs começa a compor assim que sai da cama, escreve até às duas da tarde, altura em que come algo. Sai de passeio e volta de novo para compor ou, no caso de não estar disposto a isso, visita os amigos. A 28 de Fevereiro de 1819 apresenta-se, pela primeira vez, como escritor de Lieder, ao público, quando o seu Lied „Schäfers Klagelied“ é interpretado num concerto numa prisão. No Verão de 1819, Schubert vai com Vogl até Steyr, onde escreve o quinteto para piano em lá („la Truta“) (muito famoso). Escreve ainda três das suas canções a Goethe, que ao que se sabe, não lhe respondeu. Em 1820 escreve a sua oratória inacabada "Lazarus", mais tarde, seguiram-se, entre outras obras de menor dimensão, o Salmo 23 ("O Senhor é meu Pastor"), o Gesang der Geister , o Quarteto para cordas nº 12 em Dó menor e a grande "Fantasia Wanderer" para piano. Mas o mais interessante, em termos biográficos, foi o facto de, neste ano, duas das óperas de Schubert terem sido estreadas no teatro Karthnerthor: Die Zwillingsbrüder "Os irmãos gémeos" a 14 de Junho, e Die Zauberharfe ("A Harpa Mágica" ou "A Harpa Encantada") a 19 de Agosto. Quando o seu amigo Vogl canta o seu Erlkönig num concerto, no teatro Kärnthnerthor a 8 de Fevereiro de 1821, é que Anton Diabelli aceitou, com algumas hesitações, publicar algumas das suas obras sob comissão. As primeiras sete obras com número de opus (todas elas Lieder) foram publicadas nestes termos. Em 1821 a obra „Alfonso und Estrella“ é recusada e o mesmo acontece com “Fierabras“. Estas obras eram de interpretação incrivelmente dificil. ("Fierabras", por exemplo, é constituído por mais de 1000 páginas de partitura manuscrita). Die Verschworenen“ ("Os conspiradores"), foi proibida pela censura e "Rosamunde" ("Rosamunda, princesa do Chipre), ficou incompleta, depois de duas noites de trabalho, devido à insignificância do libreto. Em 1822 é apresentado a Weber e a Beethoven, mas isso terá pouca influência na sua vida. De todos, estes são os anos mais negros da sua vida. Neste ano completou ainda a Missa em Lá bemol e começou a "Sinfonia inacabada" ou "Sinfonia incompleta" (Sinfonia nº 8 em Si menor).

Em 1824 escreve o Octeto em Fá maior, que segundo musicólogos era o esboço de uma grande sinfonia. Escreve ainda o „Divertimento à húngare“ e o quarteto para cordas em Lá menor. Muitos biógrafos referem, neste passo, a discutida paixão de Schubert pela Condessa Caroline Esterhazy, sua aluna. Esta paixão era no entanto impossível de se concretizar devido a condição social de Schubert. Escreveu ainda algumas variações sobre o tema Trockne Blumen ("Flores secas") destes Lieder. A sonata „Arpeggione“ para piano e Arpeggione foi uma interessante tentativa de valorizar um instrumento musical pesado e, hoje, obsoleto. Esta peça tem sido, entretanto, adaptada a outros instrumentos, sendo usualmente tocada com piano e violoncelo ou piano e viola.

"Sinto-me o homem mais infeliz e desventurado deste mundo. (...) Creio que nunca voltarei a estar bem, e tudo o que faço para tentar melhorar minha situação, na realidade, a torna pior". (Escritos endereçados a um amigo, em 1824.) Em 1825 Schubert consegue estabilizar a sua situação financeira e volta a viajar à Alta Áustria onde escreveu as Canções de Sir Walter Scott". É neste ciclo que se insere a famosa "Ave Maria". Os Lieder Die schöne Müllerin ("A Bela Moleira") e muitas outras das suas melhores canções foram escritas em também em 1825. De 1826 a 1828, Schubert residiu sempre em Viena, se exceptuarmos uma breve visita a Graz, em 1827. No inverno de 1825-1826, escreveu o quarteto de cordas em Ré menor, com as variações sobre o tema A Morte e a Donzela e mais tarde, nesse mesmo ano, escreveu o "Quarteto de cordas em Sol maior", "Rondeau brilhante" para piano e violino e a Sonata para Piano em Sol, que foi impressa sem o título "Fantasia" que Schubert lhe havia dado. A estas obras há a acrescentar as três canções baseadas em poemas de Shakespeare, das quais "Hark! Hark! the Lark" e "Who is Sylvia?" foram escritas no mesmo dia. Em 1827, escreveu a "Viagem de Inverno"Winterreise“ , a fantasia para piano e violino em Dó e os dois trios para piano (Si bemol e Mi bemol). Em 1828 a Sinfonia em Dó maior, "a Grande", a Missa em Mi bemol, o belo Tantum Ergo e as últimas três Sonatas para piano e o conjunto de canções publicadas postuamente com o lírico título de Schwanengesang ("O Canto do Cisne“). Seis destas canções têm letra deHeinrich Heine.

Schubert morre a 19 de Novembro de 1828 na casa do seu irmão Ferdinand, em Viena, aos 31 anos de idade, de febre tifóide, mas já desde 1822 que sofria de sífilis. Algumas das suas peças de menor dimensão foram impressas pouco depois da sua morte, mas aquelas que hoje são consideradas mais importantes foram vistas pelos editores como papel desperdiçado. Em 1838, Robert Schumann, numa visita a Viena, encontra o manuscrito poeirento da Sinfonia em Dó maior, (a "Grande", D.944) e levou-a consigo para Leipzig.

“Muitos concordam com a frase de Franz Liszt, que se refere a Schubert como "le musicien le plus poète qui fut jamais." - "O mais poeta dos músicos de sempre". Escreveu a sua música sempre de forma precipitada e raramente mudava algo que já estava escrito. Daí que a característica fundamental da sua obra seja um certo sabor a improviso: é por isso que adjectivações como fresco, vivo, espontâneo, impaciente, moderado, rico em matizes sonoras, caloroso, sentimental e imaginativo são frequentemente utilizadas. É por muitos considerado o maior autor de canções que alguma vez existiu. O Lied alemão não seria, de forma alguma, o mesmo sem Schubert. Em geral, as suas obras são marcadas pelo paradigma da canção. Até nas suas missas parece que se irrita com as secções contrapontísticas, empregando toda a sua alma nas partes que lhe permitem um tratamento mais lírico. Poder-se-ia dizer que era como um cantor (que foi, efectivamente) que transportou para todo um vasto campo musical a forma artística que mais amou.” (Wikipédia).

Lied: Palavra alemã (género neutro; pl. Lieder) que em português equivale a “canção”. Nos países germanófonos, o termo é frequentemente empregue para designar uma qualquer melodia vocal, eventualmente acompanhada por um ou mais instrumentos, baseada num dado poema.

Em geral o Lied (na Alemanha, esta forma musical é chamada de Kunstlied) assume um papel fundamental no séc. XIX. Os compositores da época romântica viram na canção popular o elemento primitivo e original, característico e nacional. Transmitidas pela tradição oral, os Lider populares foram cantados especialmente pelas camadas mais simples do povo. Estas serviram de grande inspiração para compositores como Schumann e Schubert. Como Lied propriamente dito entendia-se a canção estrófica simples. Os Lieder cantavam-se em casa, com acompanhamento de piano ou guitarra, entre amigos e conhecidos, e raramente em salas de concerto. Isto explica o seu carácter intimista. Também existia um grande interesse pelos textos e os poetas, com a intenção de alcançar uma melhor compreensão do Lied. Havia então Lieder de todos os géneros: segundo a sua forma e conteúdo: arieta, cavatina, cana e ária, cantata para solista, hino, ode, canção em estilo popular. Segundo o número de intervenientes: canções para solistas, duetos, tercetos e quartetos assim como canções para coro. Os Lieder de Schubert podem ser agrupados em três categorias:

1- Lied estrófico simples (melodia e o acompanhamento não diferem de estrofe para estrofe, exemplos: “Heidenröslein” (1815) ou “Das Wandern” (1823))

2-Lied estrófico variado (melodia e acompanhamento mudam em determinadas estrofes, exemplo: exposição (duas estrofes idênticas), enano (terceira estrofe desenvolvida), retorno (como no inicio) exemplo: Forelle).

3-O Lied desenvolvido (melodia e acompanhamento em função do texto são sempre novos, exemplo: “Rastlose Liebe” (1815) ou “Der Doppelgänger”).

Seria demasiado exaustivo enumerar todos os que cultivaram o género, cabendo aqui destacar essencialmente o nome de Franz Schubert, um jovem romântico vienense que elevou o Lied à sua mais sublime expressão, tendo composto no decurso da sua breve vida muito mais de seis centenas de peças deste género—um legado que acabou por constituir uma referência incontornável para muitos dos compositores posteriores. Explorou os universos afectivos e espirituais de obras poéticas tão diversas como as de Johann Gottfried von Herder (6), Johann Wolfgang von Goethe (86), Friedrich von Schiller (46), Heinrich Heine (6) ou Wilhelm Müller—poeta que lhe inspiraria dois dos três ciclos de Lieder por ele compostos, nomeadamente Die schöne Müllerin e Winterreise. Nos seus celebrados Lieder, buscaria sempre o melhor balanço entre a palavra e a música, entre o intimismo da lírica e a subtileza das melodias, entre as oscilações da tensão dramática e os desenvolvimentos temáticos.

Quarta-feira, 27 de Janeiro de 2010

I Got Rhythm

Tinha que publicar isto!

divirtam-se um bocado:

Quinta-feira, 21 de Janeiro de 2010

Domingo, 17 de Janeiro de 2010

ocasião faz o ladrão... trouble in tahiti






Direcção Musical Moritz Gnann
Encenação André Heller-Lopes
Cenografia Rita Álvares Pereira, André Heller-Lopes
Coreografia Verena Hierholzer
Vídeo André Godinho
Figurinos Rita Álvares Pereira
Desenho de Luz Pedro Martins
TNSC
PROGRAMA JOVENS INTÉRPRETES


L'OCCASIONE FA IL LADRO
GIOACHINO ROSSINI (1792-1868)

Ópera (Burletta per Musica) em um acto
Libreto de Luigi Prividali baseado na peça Le prétendu par hazard, ou L’occasion fait le larron, de Eugène Scribe.
Estreada no Teatro San Moisè, Veneza, a 24 Novembro de 1812.

Don Parmenione João Merino
Martino João Oliveira
Conte Alberto João Cipriano
Don Eusebio Marco Alves dos Santos
Berenice Raquel Alão
Ernestina Ana Franco

Produzida em 1812, no início da carreira de Rossini, L'Occasione Fa il Ladro, Ossia il Cambio della Valigia, é uma Farsa em um acto – sub-género cómico em voga nos pequenos teatros de Veneza durante o século XVIII e princípio do século XIX – um meio ideal para as primeiras incursões operáticas dos jovens compositores por ser um modelo menos arriscado do que a exigente ópera séria. A estreia de Rossini no género operático tinha já ocorrido dois anos antes, precisamente com uma Farsa, no mesmo teatro que receberia L'Occasione Fa il Ladro, o San Moisè de Veneza. Nestas obras está patente a tradição lírica italiana assim como o núcleo do que viria a ser o estilo rossiniano. O libreto baseia-se numa comédia em vaudeville de 1810, do então jovem dramaturgo Eugène Scribe. A surpreendente contemporaneidade entre o texto e a produção operática demonstra bem a influência dos géneros dramáticos franceses em Itália. Texto, Tiago Cutileiro e Marta Navarro


TROUBLE IN TAHITI
LEONARD BERNSTEIN (1920-1989)

Ópera em um acto.
Libreto de Leonard Bernstein.
Estreada a 12 Junho de 1952 na Brandeis University em Waltham, Massachusetts.
Nova Produção

Dinah Luisa Francesconi
Sam João Merino
Trio João Oliveira | Marco Alves dos Santos | Ana Franco

Trouble in Tahiti é uma das primeiras obras cénicas de Leonard Bernstein e a primeira denominada de ópera. Trata-se de um doloroso retrato da classe média suburbana norte-americana dos anos 50. Sem uma história propriamente dita, são expostos quadros de uma vida conjugal marcada pela decadência dos afectos e a impossibilidade da sua recuperação. Nesta obra, o compositor procurou um novo modelo operático destituído de recitativos e construído sobre o inglês vernáculo. Em 1984, Bernstein incorporaria o único acto de Trouble in Tahiti na sua ópera A Quiet Place.
Com uma versatilidade invulgar que o levou da interpretação pianística à direcção de orquestra, da composição à divulgação musical, Bernstein soube tirar pleno partido das novas tecnologias, em prol da difusão e popularização da chamada música erudita, tendo sido, indiscutivelmente, um dos músicos mais mediáticos da história da música ocidental. Texto, Tiago Cutileiro e Marta Navarro

—Bernstein&Rossini@TeatroNacionaldeSãoCarlos@17Janeiro2010

Sábado, 16 de Janeiro de 2010

Quadros de uma Exposição

Concertos da Casa da Música





Vale a pena consultar este site, que está muito bem feito, apresentando os concertos e as notas de programa respectivas e permitindo-nos aceder a parte do que se vai fazendo pelo Norte...



http://www.casadamusica.tv/

Quinta-feira, 10 de Dezembro de 2009

Em homenagem...

Sobre a Joana Carneiro


Joana muito à frente

03.12.2009 - Pedro Boléo@Público
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Dirigir é apenas uma pequena parte do trabalho de Joana Carneiro à frente da Sinfónica de Berkeley: “Aqui posso apresentar novos compositores, novos instrumentos, novos solistas. Posso imaginar sem fronteiras”

"Joana Carneiro gravou o seu primeiro disco, em que faz dançar a Orquestra Gulbenkian. Entretanto, anda a fazer das suas à frente da Sinfónica de Berkeley, cidade onde esperam dela o impossível. O truque é que para esta maestrina de 33 anos não há impossíveis.

Há uma cidade na Califórnia onde toda a gente quer aprender a pronunciar "Car-nei-ro". A maestrina de 33 anos é a nova estrela de Berkeley. Foi recebida de braços abertos, com um entusiasmo pouco comum. "Tive uma recepção calorosa", diz-nos no início da conversa longa que tivémos na Fundação Gulbenkian. Começou a dirigir a Sinfónica de Berkeley em Janeiro de 2009, depois de ter ganhado o concurso com uma perna às costas. O júri não teve dúvidas: "Ela é a pessoa certa no lugar certo. A interacção com os músicos, o nível a que os levou em quatro ensaios foi notável".

Até ver, só elogios: os músicos da orquestra adoram-na e elogiam-lhe o rigor tanto quanto a sua calorosa presença; Esa-Pekka Salonen, que ela tem como "mentor" desde que foi sua maestrina assistente na superorquestra Filarmónica de Los Angeles, disse "tu tens de concorrer àquela orquestra, é ideal para ti"; o compositor John Adams (que vive em Berkeley) gaba-lhe a combinação de rigor e descontracção e anuncia ao mundo que "a coisa maravilhosa em vê-la ensaiar é que ela faz toda a gente sentir-se à vontade, e domina completamente a partitura"; o concertino, que ela já conhecia de Los Angeles, garante que quase nunca viu nada assim - "empenho e entusiasmo e paixão". "Uau!", exclamam unanimemente músicos e críticos que assistiram aos primeiros concertos dirigidos por ela em Berkeley. "Ela encaixa", "ela é extraordinária", "fantástica", "jovem, enérgica, inteligente, e com bom humor", "a orquestra segue a sua enorme exigência"... e por aí fora. Um violoncelista da orquestra resumiu: "O coração dela é todo música".

Imaginar sem fronteiras

O anterior maestro Kent Nagano deposita toda a confiança nela para continuar o trabalho de uma das orquestras mais à frente dos Estados Unidos da América: "A orquestra já existia antes de eu vir e vai sem dúvida continuar a florescer depois de mim", disse Nagano. "Ele deixou um legado que me inspira", retribui Joana Carneiro. Que legado é esse? Uma dinâmica coexistência de nova música e de grandes clássicos, uma relação íntima com a comunidade artística local e com toda a sociedade. "Uma tradição de inovação", diz-nos a maestrina. "Programar música que está no nosso imaginário desde há séculos mas também aquilo que é o futuro da música", continua.

Joana Carneiro terá agora de ser muito mais do que maestrina: tem a responsabilidade de dirigir artisticamente a orquestra. "É uma faceta que desconhecia: programar, fazer escolhas para um, dois anos, e porventura para dez anos se ainda lá estivermos". Fala com o entusiasmo de quem quer mesmo estar lá daqui a dez anos. Mas a sua missão em Berkeley não é só programar: ela estará "na escolha dos músicos, nas decisões de como a orquestra se relaciona com a comunidade". Sente o peso da responsabilidade de ter uma "visão artística, porque a orquestra é um veículo musical daquela cidade". Todos acreditam que ela tem essa visão, e têm a certeza de que não vai desiludir. Já é muito trabalho? Não, ainda não é tudo. Joana Carneiro também tem de se preocupar com a sobrevivência da orquestra: "Estamos a falar de uma orquestra americana, é preciso pensar no ‘fundraising'". É preciso dar "confiança" aos mecenas locais, mantendo altíssimos padrões de qualidade e rigor e um largo público que se reconheça na orquestra, e sobretudo convencê-los a financiar a estrutura, mesmo em tempos de crise. Joana garante que não é fácil: "Quando a crise começou, o financiamento da orquestra sofreu um abate de dez por cento. Isso tem implicações nos programas, e é preciso distribuir melhor o que há." Aí entra a imaginação, que hoje "é ainda mais necessária do que noutros tempos", diz Joana Carneiro, olhos postos na realidade: "Com aquilo que temos, fazer o melhor que podemos".

Mas ela não quer só a realidade, quer levar os limites da beleza mais longe. Por isso diz que não há limites. "Posso programar o que quiser, apresentar novos compositores, novos instrumentos, novos solistas. Posso imaginar sem fronteiras".

O segredo está nos gestos

A orquestra de Berkeley tem os pés bem assentes na efervescente comunidade local e ganhou com Nagano reputação internacional, a fazer música de Mozart ao século XXI. Agora é a vez de Joana Carneiro, aliás "Kar-nigh-row". Ela já sentiu "uma química" com a orquestra: "Tenho aprendido muito. Já conhecia alguns músicos, houve uma familiaridade e a música unia-nos. Parece que temos os mesmos valores." Que valores são esses? "Procuramos as mesmas coisas musicalmente, há um entendimento na forma como a orquestra ensaia." E há interesses semelhantes: a música contemporânea, o interesse pela criação de agora, como prova o constante trabalho com compositores e artistas residentes realizado pela orquestra desde que Nagano fez dela uma orquestra de primeira. O entendimento com os músicos foi imediato: "Falamos e as coisas são reproduzidas em música", diz ela. Mas o segredo está nos gestos: "É também a linguagem não-verbal. A forma física como a orquestra toca. Ela reage de forma física". Reage aos gestos da maestrina, leia-se.

Aos nove anos Joana Carneiro disse aos pais que queria dirigir orquestras como aqueles senhores fazem com a batuta na mão. E os pais lá lhe ofereceram uma batuta. O que a fascinava era precisamente a ligação do gesto à música. "Parecia magia", diz ela, "a ligação do gesto com o que eu ouvia". Agora, à distância, diz Joana: "Se uma criança de nove anos quer ser maestrina, é porque tem no seu imaginário aquela figura". Isso tem a ver com "duas pessoas fundamentais" diz ela. "Somos nove irmãos e todos estudámos música 12 anos. O que faço hoje tem a ver com essa decisão fundamental dos meus pais de considerar a música tão importante como as outras disciplinas". Devia ser assim para toda a gente? Claro. "Tenho a certeza absoluta que a música devia ser aprendida por todos na escola como o Português e a Matemática. O papel que a música tem no ser humano, na imaginação, no raciocínio, na disciplina, é essencial. Há estudos que mostram que a música ajuda as crianças na Matemática, mas também a ter um comportamento mais positivo."

O sonho dos nove anos cumpriu-se - com "muita sorte". É claro agora para Joana Carneiro que "é um privilégio muito grande ter uma vida profissional que tem a ver com a criação e a recriação do belo. Dar ao nosso mundo afecto e paz é uma obrigação no sentido mais profundo - a transformação da alma do ser humano." Nada mais, nada menos. E ainda, ao mesmo tempo, "servir os compositores e quem nos vem ouvir".

Tudo graças aos pais? Não convém esquecer o talento que ela tem e desenvolveu por si mesma. E uma atitude perante a vida, que é não separar as coisas: "A Joana maestrina não é diferente do que sou. Não sou diferente na música." Mas competem a paixão da música e o amor familiar? Nada disso: "Aprendo muito e aplico muito o que aprendo na música. A música é um pilar fundamental mas a família é o centro. Coexistem com felicidade. Não teria a felicidade que sinto se só tivesse uma." Ou, dito de outra forma, "alimentam-se", como ela gosta de dizer na sua visão orgânica da vida. Deve ser isso a felicidade.

Como fazer a diferença

Na cidade que espera dela invovação, Joana Carneiro vai tentar fazer a diferença, continuando a aprender e aplicando o que aprendeu, sobretudo em Los Angeles, ao lado do seu mentor Esa-Pekka Salonen. O que fazia ali a diferença, diz ela, era "ter um instrumento extraordinário" (a orquestra de Los Angeles), mas também o "empenho diário dos músicos", "a sala em que tocavam", "a preparação do conteúdo", a atitude que uma orquestra tem de ter se quiser "transformar a cena musical, fazer música contemporânea, tocar a mais relevante da criação musical dos últimos 20 anos, estar à frente da inovação musical". É isso que Joana Carneiro quer fazer em Berkeley. O que faz a diferença é também "a existência de projectivos educativos que realmente transformam", e a criação de "um laboratório" musical, seguindo a lição de Salonen. E há ainda uma questão de fundo que faz toda a diferença para quem põe a música e a criação actual em primeiro lugar: "Reflectir sobre o mundo contemporâneo, ajudar a compreender o que é a nossa realidade." Para isso é preciso criar relação com novos compositores, os "Beethovens" de hoje.

O resto é o trabalho minucioso com a música, escolher rigorosamente uma arcada ou uma sequência de arcos num ensaio, decidir "uma respiração" em diálogo com os músicos. "A preparação é 90 por cento do trabalho", subinha. O estudo antes dos ensaios. Chegar a "um ideal de como deverá soar e depois nos ensaios aproximar o desejo do compositor da realidade". Como se equilibram as vozes, qual deve sobressair? Como é aquele acorde? Aquela respiração? É assim que se concretiza o ideal de Joana Carneiro: "Através da beleza ajudar o próximo a compreender melhor o que o rodeia".

E tem vontade de compor? "É uma arte muito difícil. Tenho muita admiração pelos compositores. Tentei mas não era a minha vocação, não tenho talento." Insistimos, incrédulos. A maestrina esquiva-se e dá-nos uma resposta mais prática: "Exige uma entrega e um tempo que não tenho, estou muito ocupada." Para compor não sabemos. Mas que tem talento, tem.

Um disco que dança

No meio de tantas ideias sobre a música, um disco. A primeira gravação de Joana Carneiro, que pode surpreender por se centrar apenas em obras de Tchaikosvky. É quase certo que haverá outras gravações, podemos arriscar, mas para já este disco, com música do compositor russo estreitamente ligada à dança - os bailados "O Quebra-Nozes" (Suite , op.71a) e "O Lago dos Cisnes" (Suite, op 20a) - e a abertura-fantasia de "Romeu e Julieta". Tem tudo a ver com ela: "Fiz ballet durante anos da minha vida, desde criança que ligava dança e música". A música move e comove Joana Carneiro, que gosta da ideia de "contar uma história com gestos de dança".

E também ela dança agora, de uma outra forma, batuta na mão, como se a música alimentasse a dança. Como se tivesse outra vez nove anos. Como se fizesse magia."

Segunda-feira, 6 de Julho de 2009

Ainda Mais Chris

Andava eu pela net a descobrir o site das bandas filarmonicas, kd a minha atenção é desviada por um banner onde se lia "Christopher Kopitz - Duplo Prémio Europeu"

Descobri Esta notícia sobre o nosso colega:



Parabéns!

Terça-feira, 16 de Junho de 2009

Parabéns, Christopher!


"O JOVEM MÚSICO PORTUGUÊS CHRISTOPHER MANUEL KOPPITZ, OBOÉ, OBTEVE O 1º PRÉMIO EUROPEU, NA FINAL DO CONCURSO JUGEND MUSIZIERT 2009, NA ALEMANHA.

 

Jugend Musiziert é o maior concurso musical de jovens músicos da Alemanha, com uma larga história de mais de 40 anos. Este concurso, apoiado pelo Conselho Alemão da Música, e por vários Ministérios, é dos mais prestigiados e de maior êxito.

 

Na 1ª eliminatória, Christopher Koppitz obteve a pontuação máxima de entre os jovens intérpretes das Escolas Alemãs em Portugal, o que lhe permitiu passar para a 2ª eliminatória. Nesta 2ª fase do concurso, em Espanha, Christopher atingiu novamente a máxima pontuação e foi seleccionado para o concerto de encerramento.

 

Na final deste concurso, onde participaram os jovens músicos finalistas de todas as Escolas Alemãs Europeias, que decorreu na primeira semana de Junho, na Alemanha, Christopher Koppitz obteve o 1º prémio em oboé.  De todos os intérpretes premiados (dos vários instrumentos), Christopher foi destacado no Concerto dos Laureados, com a atribuição do diploma de mérito europeu.

 

Christopher Koppitz, de 16 anos, é aluno da Escola Alemã de Lisboa e estuda oboé na Escola de Música Nossa Senhora do Cabo, em Linda-a-Velha, na classe do Prof. Francisco Luís Vieira."


Publicado em: http://asminhasnotassoltas.blogs.sapo.pt/35468.html

Domingo, 31 de Maio de 2009

Haydn, 200 anos



31.05.2009, Cristina Fernandes in Público

Morreu célebre, mas foi desvalorizado pelos românticos e a sua obra só foi verdadeiramente recuperada depois da Segunda Guerra. Joseph Haydn, o compositor inventivo que atravessou três eras e tinha admiradores como Napoleão, morreu há 200 anos

Da famosa tríade do classicismo vienense formada por Haydn, Mozart e Beethoven, Joseph Haydn (1732-1809) é hoje o compositor que tem uma presença menos forte no imaginário colectivo. Com a excepção de algumas sinfonias - sobretudo as que têm títulos extramusicais como O Relógio, O Urso ou A Surpresa -, um número reduzido de quartetos e da oratória A Criação, a posteridade apenas recebeu uma imagem parcial da sua imensa produção, nem sempre devidamente compreendida.
Considerado uma figura tutelar e identificado de forma simplista como "o pai da sinfonia e do quarteto", Haydn seria também uma vítima indirecta da sua vida relativamente pacata. Não teve uma existência conturbada que alimentasse mitos e mistérios, como no caso de Mozart, nem uma personalidade titânica que inflamasse os espíritos românticos como a de Beethoven. Ao contrário da maior parte dos compositores da geração anterior à sua, Haydn nunca foi esquecido, mas depois da sua morte foi nalguns momentos injustamente subvalorizado. Só depois da Segunda Guerra Mundial a sua música começou ser reabilitada em toda a plenitude.
No entanto, quando morreu a 31 de Maio de 1809, faz hoje 200 anos, era uma celebridade em toda a Europa. Viena vivia a segunda Invasão Francesa, mas Napoleão, seu grande admirador, mandou proteger a casa do compositor e vários dos seus generais e outros militares compareceram ao funeral. Um ano antes, a 27 de Março de 1808, num concerto de homenagem na Universidade de Viena por ocasião do seu 76.º aniversário, onde foi interpretada a oratória A Criação sob a direcção de Salieri, a multidão que o aguardava era tão grande que a polícia teve de intervir para manter a ordem. Na assistência encontravam-se Beethoven e Hummel. Ainda em 1785, um jornal londrino considerava Haydn como "o Shakespeare da música", e quando chegou a Londres pela primeira vez, em 1791, para uma série de concertos promovidos pelo empresário Joahann Peter Salomon, era aguardado com enorme expectativa. A imprensa não falou de outra coisa durante três dias e Haydn chegou a escrever: "Todos me querem conhecer, se quisesse jantava fora todos os dias da semana."
A longa vida de Haydn atravessou três eras. Durante estas décadas a linguagem musical sofreu profundas transformações, o mesmo sucedendo com a estrutura da vida musical e com o estatuto social do músico. Haydn beneficiou do patronato aristocrático da família Esterházy nos moldes do Antigo Regime, sendo um funcionário dedicado e fiel - mas não submisso, como o episódio da Sinfonia do Adeus, em que os músicos vão abandonando as suas estantes um a um como forma de protesto pela permanência prolongada em Esterháza longe das suas famílias -, mas também do êxito como músico independente na esfera pública na última fase da sua vida. Mais do que qualquer outro compositor, teve o melhor dos dois mundos. Como escreveu o historiador da cultura Tim Blanning, "no início da sua carreira Haydn começou a ser conhecido porque era o mestre de capela da família Esterházy; na época da sua morte os Esterházy eram famosos porque o seu mestre de capela tinha sido Haydn".
A sua juventude coincide com o período áureo do barroco tardio e a sua velhice com os alvores do romantismo. Quando Haydn nasceu Bach trabalhava na Missa em Si menor em Leipzig e quando morreu Beethoven já tinha escrito a Quinta e a Sexta Sinfonias.
O príncipe e a música
Nascido na pequena localidade de Rohrau, Áustria, numa família de camponeses, Haydn começou a sua formação como menino de coro, primeiro em Hainburg (para onde foi levado por um primo que exercia as funções de mestre-escola e director do coro) e depois na Catedral de Santo Estêvão, em Viena. A partir de 1761 começou a trabalhar para a ilustre família húngara Esterházy de Galantha, na qual se destaca o príncipe Nicolau, o Magnífico, grande apaixonado pela música. No seu castelo de Esterháza, inaugurado em 1766 e comparado por muitos contemporâneos com Versalhes, edificou um teatro de 500 lugares e uma grande sala de concertos. Durante alguns períodos chegavam a interpretar-se duas óperas e dois concertos por semana, além de música de câmara diariamente.
Haydn não tinha mãos a medir. Pelo menos até 1790 - data da morte de Nicolau, o Magnífico - a obra de Haydn pode ser considerada como o último grande legado do mecenato do Antigo Regime no campo musical. Em termos de quantidade é digna da geração precedente, representada pelos compositores barrocos: mais de 100 sinfonias (recorde-se que Beethoven escreveu apenas nove), mais de 80 quartetos, mais de 20 óperas e cerca de 175 peças de câmara para baryton (instrumento aparentado com a viola da gamba que o príncipe tocava). Haydn teve uma relação próxima com todos os géneros musicais vocais e instrumentais, sacros e profanos (ópera séria e buffa, cantatas, missas, oratórias, Lieder), mas no final da vida abriu caminho também para as grandes obras corais sinfónicas do romantismo com as partituras das oratórias A Criação e As Estações. As ousadias harmónicas da Representação do Caos na introdução à Criação não têm paralelo na música do século XVIII e apenas seriam retomadas pelo romantismo tardio.
Nos relatos da época, Haydn é descrito como uma pessoa modesta e simpática e como um bom católico. Foi um homem que acompanhou o seu tempo mas que não tomou posições radicais. Acabou por conseguir a emancipação do seu antigo estatuto profissional porque o príncipe Anton (que sucedeu a Nicolau) se interessava menos pela música e lhe deu maior liberdade. No entanto, mesmo durante o período anterior, o trabalho no isolamento de Esterháza não impediu que o nome de Haydn corresse o mundo. Boccherini, que trabalhava na corte de Madrid, escreveu-lhe em 1781 a testemunhar a sua admiração e as encomendas chegavam de vários sítios. As famosas Sete Últimas Palavras de Cristo na Cruz resultam da encomenda de um prelado de Cádis, em 1785, e as seis sinfonias parisienses da solicitação da importante sociedade de concertos da Loge Olympique.
A ampla circulação das suas obras, primeiro em manuscritos e em algumas edições piratas, e depois nas edições oficiais da casa Artaria, contribuiu também para sua celebridade europeia. A partir de meados dos anos 80 do século XVIII é o compositor mais editado em França e Inglaterra e em 1784 a revista European Magazine chega mesmo a publicar a sua biografia. Deste modo, o caminho estava aberto para o triunfo nas salas de concertos públicas de Londres quando realiza as suas duas digressões em 1791-92 e em 1794-95.
O humor e os românticos
Os contemporâneos de Haydn parecem ter compreendido, mas o mesmo não sucedeu com a geração romântica seguinte. Schumann tinha um profundo respeito por ele, mas chegou a escrever que "não tinha mais nada a aprender com Haydn", e Wagner comparou a sua produção sinfónica a uma "segunda infância" em relação a um Beethoven que teria já nascido adulto nessa matéria.
A essa avaliação escaparam muitos traços da genialidade do compositor, hoje felizmente reconhecidos. Poderíamos falar de uma mestria de construção sempre inventiva, da sua capacidade de manipulação do material musical ou da forma como incorporou as tradições populares na música erudita, mas há uma qualidade em Haydn que merece especial admiração: a habilidade para criar surpresa e humor na música, este certamente pouco apreciado pelos românticos, mais preocupados com as suas depressões e profundas crises existenciais. 

Quarta-feira, 27 de Maio de 2009

PROVA DE PASSAGEM NO DIA 1 DE JUNHO!!!

Meus caros alunos,
não foi possível alterar a data da prova de passagem uma vez que as notas têm que ser dadas antes de dia 8 de Junho.
Por isso, temos teste no dia 1 de Junho.

Preciso que TODOS me confirmem URGENTEMENTE que receberam esta informação de alteração! Ou através de email ou de comentário no blogue ou de telemóvel: 966917897 ou 912569340!
Falem por favor entre vocês e que ninguém fique sem saber:

Bernardo
Christopher
Catarina 1
Catarina 2
Teresa
Michael
Madalena
Luís
Jorge
João 
Rui

Estão todos informados??

Boa sorte! Em caso de dúvidas, contactem-me!
Bach também sai na Prova!

Beijinhos a todos e BOM ESTUDO!
Rosa Paula

Sexta-feira, 24 de Abril de 2009

Blue Man Group

Quarta-feira à noite fui ao Casino de Lisboa ver os Blue Man Group.

Excelente!

Aconselho a todos irem ver o espectáculo! vale mesmo muito a pena!

são quase 2 horas de puro entretenimento e música.

Este espectaculo tem o nome de Mega Star Tour. Basicamente o que acontece em todo o espectaculo é que os 3 homens azuis estão a seguir as instruções de um DVD chamado "How to be a Super Star".

O Espectaculo vai ficar até dia 9 de Maio no Auditório dos Oceanos do Casino de Lisboa.

Deixo-vos alguns clips que consegui encontrar no youtube.





Neste têm uma das partes do espectaculo em que o DVD está a explicar o que devem fazer para ser uma estrela acho k é o "Rock Movement #3"


Por último deixo-vos o inicio do espectáculo, para adoçar a boca



e mais um bocadinho


o som não está grande coisa nestes últimos, mas da para perceber o espírito.

Não se assustem com o preço! vale cada cêntimo!

Voca People

Para quem pensa que o coro é "uma seca".

Quarta-feira, 1 de Abril de 2009

Vejam e ouçam bem isto

A animusic dedica-se exlusivamente à criação de animação computarizada relacionada com música, criando possíveis novos instrumentos (apenas em computador, claro). Eu fiquei apaixonada por este (percebe-se porquê).



Enjoy

Terça-feira, 31 de Março de 2009

salomé

A todos os que vão assistir à récita da Salomé no Domingo, dia 5 de Abril de 2009, avisa-se que nos encontramos em frente ao São Carlos pelas 15.30h!

nbnnbmnbmnbmnbmnbm

"Rejeitando a versão versificada do libreto germânico, Strauss resolve conceber a ópera Salome directamente a partir do texto teatral em alemão, incidindo o seu trabalho no corte de secções e em pequenos arranjos estruturais, criando quase uma adaptação directa do teatro para a ópera. Esta técnica não será tão diferente de alguns dos trabalhos anteriores do compositor se se estabelecer um paralelo com os seus Poemas Tonais, obras sinfónicas baseadas em textos literários, género tão cultivado por Strauss. O facto da ópera decorrer num único acto transcomposto, sem interrupções, permite aproximá-la ainda mais da produção sinfónica do autor - um Poema Tonal com texto.
Salome foi recebida com reacções contrastantes. Por um lado foi um sucesso, garantindo inúmeras apresentações nos principais teatros de ópera e, simultaneamente, consolidando a reputação do seu compositor; por outro, o tema da ópera, assente na figura mítica de Salomé, causou enorme escândalo. A obra chegou a ser banida em vários teatros, tendo para isso contribuído a abordagem às secções mais ousadas do texto de Wilde: a dança erótica dos sete véus, aludindo à nudez integral, e a cena de amor de Salomé com a cabeça de S. João Baptista, remetendo para a necrofilia, passagens que Strauss fez questão de manter e até enfatizar. Controvérsias à parte, Salome tornou-se um marco na carreira do compositor que abandonaria o modelo de Poemas Tonais, uma constante na sua obra até então, para abraçar definitivamente o género operático. Na sua harmonia cromática, melodia prosódica e complexidade orquestral, Strauss afirmava-se como um dos principais compositores germânicos, do início do século XX, numa linha de continuidade com a tradição operática wagneriana."

Texto Tiago Cutileiro, Marta Nunes

Segunda-feira, 30 de Março de 2009

Vejam e ouçam bem isto. Espectacular.

Domingo, 15 de Março de 2009

a rainha de sabá na oratória "salomão"

"The Arrival of the Queen of Sheba", que o Christopher publicou aqui em baixo, é uma marcha que se insere na oratória de George Frideric Handel intitulada Solomon e é baseada na narrativa bíblica do sábio Rei Salomão. O libreto tem sido atribuido a Newburgh Hamilton.

Os episódios retrados por Handel nesta oratória remetem para a disputa resolvida pelo Rei Salomão entre duas mulheres que disputam a maternidade de uma criança; e o famoso encontro com a Rainha de Sabá que lhe oferece inúmeras riquezas e o reconhecimento da sua sabedoria.

Astuto empresário, Handel aproveita a ocasião para homenagear o seu patrono sublinhando as semelhanças entre Salomão e o Rei George II. "Piedade", "Sabedoria", "Esplendor" são qualidades figuradas nos vários actos de forma a elogiar o Rei britânico!

A obra foi composta entre 5 de Maio e 13 de Junho de 1748, mas a estreia teria apenas lugar em Março do ano seguinte!

Deixo-vos o libreto e a ligação para a partitura para que possam desfrutar, em grande, desta obra que os colegas do 2º ano em breve irão estudar!


adsas (Raffaelo, A Rainha do Sabá, séc. XVI)

Sábado, 14 de Março de 2009

Albrecht Mayer: The Arrival of the Queen of Sheeba

Albrecht Mayer:
1º Oboé da Berliner Philarmónica.
video

Sexta-feira, 13 de Março de 2009

sobre música



— Alfred Gockel, Stroking The Keys (n. 1952)

Quinta-feira, 5 de Março de 2009

Marin Marais

Nome: Marin Marais

Data e local de Nascimento: 25 de Maio de 1656, em Paris
Data e local de Morte: 15 de Agosto de 1728
Quem era: violista / gambista e compositor francês do período barroco
- Em 1667, torna-se cantor no coro da Saint-Germain-l'Auxerrois
- Aos dezasseis anos, deixa voluntariamente Saint-Germain-l'Auxerrois e tenta aperfeiçoar-se junto de Sainte-Colombe na viola baixo
- Marais entra, em seguida, na orquestra da Academia Real de Música, dirigida por Jean-Baptiste Lully
- Obtém em 1679 o cargo de tocador de viola da câmara do Rei Luís XIV. Acumulará esse cargo com a carreira de músico da Ópera, durante quarenta anos.
Principais obras:
- Peças para viola de gamba
Peças para uma e para duas violas (1686)
Peças para uma e duas violas com aumento de muitas peças particulares em partição (1689)
Peças para uma e para três violas, Quarto livro (1717)
- Peças para trio (Marin Marrais foi um dos primeiros, em França, a escrever peças para trio)
Peças para trio para flautas, violinos e viola (1692)
A Gama e outros trechos de sinfonia para violino, viola e címbalo (1723)
- As tragédias líricas francesas
Alcide (1693)
Ariane et Bacchus (1696)
Alcyone (1706)
Sémélé (1709)

matéria para o teste

aaaaaaaaaaaaa

Meus caros alunos,

como combinado, aqui segue a
matéria para o teste de História da Música (IIº ano),
com páginas do Grout e Palisca, História da Música Ocidental e tal...


- Características gerais da música do primeiro período barroco [Grout: pp. 307-315]

- O surgimento da ópera [Grout: pp. 316-329 + pp. 359-371]

- Música vocal de câmara no primeiro período barroco [Grout: pp. 329-335]

- Música sacra no primeiro período barroco [Grout: pp. 335-342 + 375-389]

- Música instrumental no primeiro período barroco [As fotocópias da Sebenta, que vos dei na aula + Grout, pp. 414-419]


O teste debruçar-se-á sobretudo sobre os temas a "bold", mas seria importante que dominassem toda a matéria indicada.
Bom estudo!
Até Segunda!

rprp