Terça-feira, 11 de Novembro de 2008

notas ao programa do concerto dos 30 anos de EMNSC

Marcos Portugal, Il Duca di Foix (Abertura)

Marcos António da Fonseca Portugal nasceu a 24 de Março de 1762 em Lisboa. Aos 9 anos iniciou os seus estudos musicais, no Seminário Patriarcal, em composição, canto e órgão. Aos 14 anos realizou a sua primeira composição, um “Miserere”, obra de carácter religioso, domínio no qual se iria destacar mais tarde. Devido à grande qualidade e popularidade das suas melodias, a corte portuguesa ofereceu-lhe, em 1892, uma bolsa para estudar em Itália, país para onde se transferiu de imediato. Fixando-se em Nápoles, importante centro de ensino musical da época, compôs as primeiras óperas, ao estilo italiano. Regressou a Portugal oito anos depois, cheio de vaidade, devido ao sucesso obtido em Itália. Aos 49 anos viajou para o Brasil com a corte do rei D. João VI, e aí ficou até à sua morte, não tendo conseguido regressar a Portugal devido a dois ataques apopléticos que tivera. Morreu a 17 (ou 7) de Fevereiro de 1830, no Rio de Janeiro.
A peça em programa trata-se da Abertura da ópera Il Duca Di Foix (1805) escrita aquando do regresso de Marcos Portugal de Itália. O “dramma per musica” Il Duca Di Foix teve como libretista Giuseppe Caravita.
Pedro Baião

Jean Sibelius, Valsa Triste

Jean Sibelius nasceu em Tavastehus (Finlândia) a 8 de Dezembro de 1865. Estudou Direito, mas preferiu dedicar-se à sua vocação musical, que prosseguiu na Alemanha e na Áustria. É um dos mais famosos compositores escandinavos e a sua obra pode ser vista na transição entre o romantismo e as novas tendências. Contudo, desenvolve um estilo próprio muito ligado à linguagem musical do seu país, o que gerou grande entusiasmo desde as suas primeiras apresentações. Sibelius morreu em Järvenpää, perto de Helsínquia, a 20 de Setembro de 1957.
Esta Valsa Triste foi extraída e publicada de um conjunto de peças compostas para a peça teatral Kuolema. Moldada numa forma ternária, Valsa Triste, abre com uma afirmação simples que introduz de imediato um estado de espírito avassalador senão mesmo uma melancolia “agridoce”. Enquanto a música se revela, apresenta-nos uma ambiência entre a alegria e a tristeza, o que, à medida que se desenvolve, nos conduz para um final sombrio com três sinistros acordes tumultuosos.
Bernardo Machado

Joseph Haydn, Concerto em Dó Maior para Violoncelo (Andamento I)

Haydn (n. 1732 – m. 1809) foi um compositor prolífico, tendo escrito cerca de 104 sinfonias, 83 quartetos e 175 obras para baryton, entre muitas outras. Escreveu relativamente poucos concertos, cerca de 30 no total, se considermos todos os que lhe são atribuídos. Dos três concertos para violoncelo conhecidos, conservaram-se apenas dois, sendo o primeiro o Concerto para Violoncelo em Dó Maior, com data de 1765 (um ano antes do grupo dos Esterhazy se mudar para o novo palácio) e descoberto em Praga em 1961.
O Concerto em Dó Maior para Violoncelo e Orquestra foi composto na década de 60 do séc. XVIII e testemunha as influências barrocas da juventude de Haydn que se materializam no uso das hemíolas, no diálogo evidente entre o solista e a orquestra que o acompanha e na enorme quantidade de ritmos pontuados. No primeiro andamento, Moderato, os ritornelli da orquestra provocam um clima festivo que faz sobressair a sonoridade do canto solista.
João Matos

Ludwig van Beethoven, Romanza para Violino e Orquestra

Ludwig van Beethoven nasceu em Bona (Alemanha) no dia 16 de Dezembro de 1770 e viria a falecer, em Viena, a 26 de Março de 1827. Foi um compositor de transição entre o período clássico e romântico e é até hoje um dos compositores mais reconhecidos e interpretados. Na sua juventude foi viver para Viena onde estudou com Joseph Haydn e onde ganhou uma reputação de virtuoso do piano. Na sua vida adulta começou a ter problemas de audição, mas esse facto não o impediu de continuar a compor e dirigir, mesmo depois de estar completamente surdo.
A peça que hoje vamos ouvir é a segunda Romanza para Violino e Orquestra, em Fá Maior, op. 50 e terá sido composta em 1798, ainda na primeira fase da obra do compositor, caracterizada pelo seu cariz mais classicista. Esta peça tem alguns contrastes melódicos e harmónicos: inicia com um tema muito amoroso que irá repetir-se ao longo da peça a que se seguem certas partes em que sentimos um forte dramatismo (provavelmente representando de alguma forma alguns dos sentimentos ínitmos do compositor) para regressar, em seguida, às melodias românticas características de Beethoven e finalizar com orquestra.
Artur Mouradian

Franz Schubert, Sinfonia Incompleta

Franz Peter Schubert nasceu em Himmelpfortgrund, perto de Viena, a 31 de Janeiro de 1797 e morreu, em Viena, a 19 de Novembro de 1828, com apenas 31 anos de idade. Sendo um compositor austríaco do fim do período clássico, revela já na sua obra um estilo com características românticas.
Escreveu cerca de seiscentas obras, entre óperas, sinfonias e sonatas não tendo, no entanto, visto a sua obra reconhecida em vida o que o levou a passar por sérias dificuldades económicas (porque não conseguia assegurar emprego de forma permanente, Schubert recorria à ajuda de amigos e do trabalho de professor que seu pai lhe deu).
Hoje, é considerado por muitos como um dos mais influentes compositores do século XIX, pois a sua obra marca a transição do estilo clássico para o romântico.
A controvérsia existente à volta da sua “Sinfonia Inacabada” ou “Sinfonia Incompleta”, (Sinfonia nº8, D 759) cuja composição Schubert abandonaria ao cabo de dois andamentos, pensa-se poder não estar relacionada com uma suposta falta de inspiração, mas com o facto de conter certas passagens de inspiração beethovenianas das quais Schubert teria consciência e que temia ver criticadas adiando por isso a sua conclusão e publicação.
Pedro Mata

Joly Braga Santos, Hino à Juventude

José Manuel Joly Braga Santos nasceu em Lisboa, a 14 de Maio de 1924. Estudou violino e composição no Conservatório Nacional de Lisboa, sob a direcção de Luís de Freitas Branco, o principal compositor da altura. Após a Segunda Guerra Mundial teve a oportunidade de continuar os seus estudos no estrangeiro, onde estudou direcção com Hermann Sherchen e Antonino Votto e composição com Virgilio Mortari.
As suas primeiras quatro sinfonias foram de imediato apresentadas pela Orquestra Sinfónica da Radiodifusão Portuguesa, sob a direcção do maestro Pedro de Freitas Branco e obtiveram um enorme sucesso. O maestro, ao reconhecer o talento de Braga Santos, lançou-o numa carreira internacional, apresentando as suas obras por toda a Europa. Numa fase mais tardia da sua vida, iniciou a disciplina de análise no Conservatório Nacional de Lisboa. Foi, também, um dos fundadores da Juventude Musical Portuguesa. Morreu em Lisboa, a 18 de Julho de 1988.
Para além das suas 6 sinfonias, escreveu um Requiem, três aberturas sinfónicas e ainda algumas obras baseadas em poemas de poetas portugueses como Fernando Pessoa, Luís de Camões, Antero de Quental, entre outras.
A sua 4ª Sinfonia, como outras obras do compositor, contém várias referências a temas da música popular assim como grandes influências do meio em que este se insere. Composta por quatro andamentos, esta obra dedicada à Juventude Musical Portuguesa termina com o “Hino à Juventude” que simboliza a união dos jovens de todo o mundo através da música.
Diogo Gomes

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