terça-feira, 30 de Dezembro de 2008

Lisbon Film Orchestra

Já passou algum tempo, mas não faz mal...

Fui ver o concerto da Lisbon Film Orchestra ao cinema S. Jorge no dia 20!

alguem mais foi?

Estavam a tocar algumas caras nossas conhecidas. A mais conhecida de todos é a Ana Rita Damil, mas estava também o Bruno Gomes(antigo aluno de violino) e o Professor de Trompete. (não me lembro de mais ninguém)

Bom, o comentário...

Foi giro!

A ideia é boa! Eu penso que ha muitas bandas sonoras com um grande valor musical e que devem ser reproduzidas em concerto.

Musicalmente o concerto foi bom, embora os percussionistas estivessem com alguma frequência "ao lado". Para mim, que conhecia as músicas quase todas (e algumas de trás para a frente), era bastante evidente (às vezes mesmo escandaloso) mas mesmo pessoas que não conheciam as Bandas Sonoras e que não percebem "nada" de música notaram algumas das vezes...

Como espectáculo em geral foi um bocado decepcionante. :(

O concerto foi acompanhado por projecção esporádica de video e por interludios de video entre as músicas, também por uma TENTATIVA de espectáculo de luz. Digo tentativa porque foi uma catástrofe!

Primeiro: os videos devem ter sido escolhidos ao acaso e não representavam minimamente o que a música estava a "dizer" e (parecia) começavam e acabavam aleatoriamente no meio das músicas. Em relação a este ponto, eles (não sei se o director artistico, se o produtor, se o maestro, se o responsavel pela selecção de video, se todos) esqueceram-se do fundamental: as bandas sonoras não são concertos!!! são feitas para acompanhar uma imagem! Servem para ajudar o filme(e o realizador) a transmitir determinada ideia ou emoção. Fizeram a proeza de conseguir por numa parte da música altamente "melosa" e sentimental uma cena de acção do arco da velha...

Mas adiante,

Em termos de Luz, não ha grande coisa a dizer... foi uma coisa muito pobrezinha e por vezes despropositada.


Dizem vocês: "mas quem é que repara nisso?"
e eu respondo: "eu! e todos os que gostam de música e de cinema e da música no cinema!" Se querem fazer alguma coisa, façam bem! não façam na base do "ninguém vai dar por isso"...

Em relação à luz dizem: "ah mas não há dinheiro fizemos como o orçamento deixava..."
e eu digo: "oh! tretas! com o equipamento que lá havia podiam fazer melhor!"


Bom, isto ja vai longo demais!

Desculpem se a análise é muito técnica... mas há coisas que não consigo deixar passar...


Em suma:

Musicalmente um bom espectáculo! Se não entrarmos em preciosismos (havia musicas k estavam + rápidas outras lentas demais... :S)

Valeu a pena ir ver!
Os bilhetes... bom, eram um bocado caros... como disse uma pessoa "pagar 25€ para ir ver alunos a tocar?"

tinha-me esquecido de deixar aqui um video a ilustrar o concerto...



e outro...





Aproveito também a ocasião para desejar a todos um Excelente ano de 2009 com muitos espectáculos e concertos de qualidade!

Happy New Year!

sábado, 27 de Dezembro de 2008

Coma

Uma piada para as férias...

Músico que é músico quando sai de coma nunca volta a si... volta a si b!

Boas Férias!

quinta-feira, 18 de Dezembro de 2008

Da Treta!

Pois é...

acabei de chegar a casa de mais uma noite cultural...

decidi partilhar!

Hoje fui ver o Zezé e o Toni! Dois ícones do humor português.

"A verdadeira Treta" é o espectaculo que está em cena no Casino de Lisboa (para M12) desde Setembro e até ao próximo domingo!

e espantem-se: sempre cheio!

hoje ainda estava a última fila vazia... mas está esgotado até ao ultimo dia.

Sobre o espectaculo pouco há a dizer... São as piadas "à la Conversas da Treta"...

Grandes momentos de gargalhada. muitos trocadilhos inteligentes (alguns inteligentes de mais... k eu fikei a apanhar do ar...) e as piadas eram umas atrás das outras.

Mais uma boa noite de entretenimento! que valeu os 18€ do bilhete!

aqui fica um videozinho de uma reportagem da TVI

http://br.youtube.com/watch?v=dTo_sxdNB0w

e outro:



Boa treta!

segunda-feira, 15 de Dezembro de 2008

FAME

Who Wants To Live Forever? perguntava Fredy Mercury...

e há quem responda:

"FAME! I Want to live forever!"

Não há melhor maneira de ficar neste mundo para toda a eternidade que atingir o estrelado ou fazer alguma coisa de relevante por alguem ou por todos em geral.

É assim que pensam os estudantes da academia de estrelas mais famosa do mundo.

Fame é um musical dos anos 80 que esteve em cena no Teatro Tivoli em Lisboa em Outubro e que volta agora para uma reposição até dia 30 de Dezembro

O musical é falado em Português e cantado em Inglês.

Quando o fui ver achei-o com muitas falhas técnicas, mas com uma qualidade bastante apreciavel ao nível de interpretação e canto.

Os jovens actores (no elenco ha apenas 4 ou 5 actores com mais de 25 anos) fazem um bom trabalho.

O Ponto alto do espectaculo é mesmo o final havendo alguns "episódios" mais relevantes durante as quase 2 horas de espectaculo.

Para mais informações espreitem o site:
http://www.fameomusical.com/

Não é um espectaculo daqueles a não perder... Mas é uma boa noite de entretenimento.

Enjoy!




Deixo também aqui um video não oficial do fim do espectaculo

sábado, 13 de Dezembro de 2008

Orquesta Juvenil Simón Bolívar da Venezuela

Músicos...

há-os em todo o mundo...

agora vejam só a alegria com que estes tocam.

- Uma orquestra a dançar?
- ah... não sejam parvos... isso não existe!

- Tocar de Fato de treino?
- isso é no mínimo imbecil!



pronto... s calhar até ha algumas que fogem à regra...

É Orquesta Juvenil Simón Bolívar da Venezuela no festival "BBC Proms 2007" já no final da actuação a tocar 2 encores: Pajarillo-Alma LLanera" e "Mambo".

e olhá ondaaaaaaaaa....


P.S.: ah... e sim! eu devia estar a estudar História... ups!

Os intervalos

O público pede, nós damos!

dedicado a todos os que pediram para (re)ver esta pérola das teorias de composição

aqui fica:



Catarina... controla-te!!!

quarta-feira, 10 de Dezembro de 2008

Música e Tortura

Música é utilizada como instrumento de tortura

O dia em que o Mundo assinala os 60 anos da Declaração Universal dos Direitos do Homem foi aproveitado por um grupo de activistas para o lançamento de uma campanha contra a utilização de música como meio de tortura. A forma estará a ser utilizada no Iraque e em Guantánamo.

http://ww1.rtp.pt/noticias/index.php?headline=98&visual=25&article=377147&tema=31

Olivier Messian (1908-1992)





Música. Centenário de Olivier Messiaen (1908-1992)

Figura singular da música do século XX, Messiaen faria 100 anos neste dia

Foi preciso o ano dar a volta quase completa para a música clássica festejar os centenários natalícios redondos de 2008: o de Olivier Messiaen, falecido em Abril de 1992 e o do norte-americano Elliott Carter, que... completa amanhã 100 anos!
Atenhamo-nos por hoje em Messiaen, pois que esse nasceu num 10 de Dezembro, em Avignon. Compositor, sim, mas igualmente organista, pianista, pedagogo, Messiaen foi uma personalidade de grandeza absolutamente primeira na música do século passado. Nascido para a criação (final dos anos 20) num momento em que as correntes do neo-classicismo e do dodecafonismo se digladiavam pela primazia enquanto vias mais idóneas para a "nova música", Messiaen foi sempre resolutamente moderno, mas também sempre absolutamente pessoal, sem se deixar subsumir em qualquer das correntes estéticas dominantes, dessa ou de qualquer época. Daí ser justo dizer- -se que Messiaen é um "planeta" à parte, isto é: ele conseguiu obter desde cedo aquela "marca" dos grandes mestres que consiste em deter uma linguagem e um som imediatamente reconhecíveis e inconfundíveis.
Para tal contribuiu antes de mais a sua profunda e extravasante fé católica, eivada de misticismo e cultora de tudo o que de gozoso, glorioso e luminoso contêm os diversos mistérios do credo romano - só por uma vez, no Sétimo Quadro do São Francisco de Assis, sua única ópera, é que Messiaen "enfrenta" a dor da Crucifixão.
Em segundo lugar, a sua linguagem melódica, harmónica e rítmica, que expôs de forma muito precisa emu tratado/manual Technique de mon langage musical, publicado em 1944. Os sete modos de transposição limitada que criou enquanto sistema e base de melodia e harmonia; recuperação da monodia gregoriana; investigação profunda sobre o ritmo que empreendeu toda a vida (e passou aos muitos alunos, entre os quais Boulez), aí se incluindo a recuperação da métrica grega (modos rítmicos), uso de tâlas típicas da música indiana, recurso aos valores acrescentados; o sentido muito peculiar da harmonia, facultado pela sua sinopsia, isto é, a faculdade de ver cores ao escutar agregados de sons.
Por fim, e não menos definidor, a marca que na sua música há do canto dos pássaros.
Autor de uma enorme produção que se estende pela música para órgão, piano, de câmara, vocal (com ou sem instrumentos), concertante, sinfónica, coral-sinfónica e a ópera atrás citada, Messiaen merecerá sempre ser conhecido. E fruído.

quarta-feira, 3 de Dezembro de 2008

quem vai participar no Youtube Symphony Orchestra?


Música. Instrumentistas seleccionados actuarão no Carnegie Hall

"O YouTube acaba de lançar mais um desafio aos internautas: a criação de uma orquestra online. Uma orquestra com músicos profissionais e amadores, das proveniências mais diversas, a seleccionar entre os que se candidatarem aos lugares. Uma orques- tra onde nem tudo será virtual uma vez que, em Abril de 2009, os recrutados irão dar um primeiro concerto em Nova Iorque. O local? O mítico Carnegie Hall, sob direcção do maestro Michael Tilson Thomas.

A ideia parece entusiasmante. Através de um canal, em www.youtube.com/symphony, qualquer um poderá, até 29 de Janeiro, enviar a sua candidatura para integrar a YouTube Symphony Orchestra. Cada candidato terá de interpretar, no instrumento por si escolhido, uma parte de uma peça do compositor Tan Dun (globalmente revelado pela banda sonora do filme O Tigre e o Dragão).

No canal dedicado à orquestra estão já disponíveis partituras e informação adicional sobre a obra de Tan Dun. Cada candidato deverá então filmar a sua performance e depois fazer o upload da sua parte instrumental. Uma actuação virtual da orquestra, reunindo os vídeos das várias partes instrumentais, será apresentado no YouTube.

Ao vídeo com a peça de Tan Dun cada candidato deverá juntar um outro, interpretando uma entre uma série de peças do repertório clássico, a escolher entre um lote proposto. Um vídeo de apresentação deste projecto mostra o próprio Tan Dun, assim como uma série de jovens músicos, recomendando a todos os candidatos que pratiquem.

A selecção dos perto de 200 elementos da orquestra real (nascida da virtual) será feita por um júri especializado. E em Abril de 2009 serão convidados para actuar em Nova Iorque.|- N.G."

terça-feira, 2 de Dezembro de 2008

Uma Sonata de Beethoven: nota de programa para a classe da Professora Madalena Reis

Sonata nº. 15 in Ré, Op. 28, por Alfred Brendel

As 32 Sonatas para piano de Beethoven constituem um grande tesouro que incorpora parte da eternidade humana. Edwin Fischer dizia: “Para Beethoven, a forma-sonata não é um esquema que pode ser usado por capricho num dia e abandonado noutro. Esta forma domina tudo o que ele pensa e compõe; é a derradeira marca da sua criação e a forma do seu pensamento – uma forma intrínseca, natural”.

Beethoven foi uma figura crucial na transição do período Clássico para o período Romântico, desempenhando, entre outros, um papel essencial na transformação e evolução da forma-sonata. Nela, ele impõe a sua forte personalidade, criando uma nova forma de arte, na qual a sua própria vida, com as suas alegrias e tristezas, é projectada. Em Beethoven, o “tema” adquire proporções admiráveis, de uma força tal que se impõe sobre a atenção e a memória do ouvinte. O “tema” transforma-se num conceito que se espalha por toda a obra, tornando-a facilmente reconhecível, mesmo se os seus aspectos harmónicos, modais ou tonais mudem. O princípio fundamental na organização das sonatas para piano de Beethoven é a tonalidade. Poder-se-ia dizer que ela representa a chave de qualquer composição sua, já que (para ele) conduz à verdadeira compreensão da forma musical. No entanto, qualquer que seja o número de andamentos, o seu tipo, tonalidade, ordem, as suas formas ou mesmo as suas durações, uma característica pode ser estabelecida entre todas as sonatas de Beethoven: o grande cuidado do compositor em criar uma conecção facilmente perceptível entre as partes constituintes das suas obras.

A Sonata nº 15, op. 28, em Ré Maior, “Pastoral”, foi escrita e publicada no ano de 1801, com dedicatória ao Conde Joseph von Sonnenfels (daí também ser conhecida como Sonnenfels-Sonate, nomeadamente na Alemanha). Com alguma controvérsia, podemos afirmar que é uma das primeiras sonatas do chamado “período intermédio” das suas três fases de escrita. O subtítulo “Pastoral”, que partilha com a Sinfonia nº 6 (op. 68, em Fá Maior), foi-lhe atribuido pelo seu editor, Augusto Cranz. Tem sido especulado se este subtítulo se referirá de facto ao lado mais campestre e ligado à natureza, tal como na Sinfonia nº 6, ou apenas ao sentido de calma, simplicidade e leveza da palavra. Não obstante, uma coisa é evidente: tanto o primeiro andamento como o último podem ser descritos como “pastorais”; já os andamentos intermédios não.

O primeiro andamento, Allegro, começa com um baixo repetitivo e monótono, quase como um tímpano ou mesmo uma gaita-de-foles. Por cima, o tema principal, simples e calmo, no entanto, astuto. Eventualmente, o segundo tema é-nos apresentado sobre uma passagem de constantes colcheias. Aqui também uma melodia simples, com a qual podemos imaginar autênticas paisagens “pastorais”. O Desenvolvimento passa por várias tonalidades menores, numa progressão crescente de dramatismo e angústia, que culmina no desvanescimento sonoro dos temas principais. A Reexposição traz-nos de volta os temas do início.

Em oposição ao ambiente bucólico do primeiro andamento, o segundo, Andante, apresenta um carácter mais desesperado e subjugado. Na relativa menor da tonalidade da obra (Ré menor), proporciona-nos uma temática mais solene, quase cerimonial. A sua característica mais marcante é o baixo, erguido sobre uma estrutura estática de semicolcheias em staccato, dando ao andamento um aspecto de marcha. No meio, uma pequena diversão na tónica Maior, onde Beethoven escreve um diálogo com perguntas em galopes staccato e respostas em tercinas de semicolcheias. Rapidamente voltamos ao ambiente sombrio da primeira parte, desta vez com algumas variações e ornamentações adicionais. Beethoven tinha um gosto pessoal por este andamento.

O Scherzo-Trio: Allegro vivace já conta com um ambiente mais brincalhão e humorístico. A sua característica fundamental é o grande contraste que Beehoven cria entre quatro longas notas, todas elas à distância de oitava, e a melodia principal em colcheias rápidas. O parte do Trio apresenta uma melodia de quatro compassos, repetida oito vezes, quatro delas de maneira diferente. É um momento bastante alegre na obra, contudo sempre bem frontal e directo.

O último andamento, Rondo: Allegro ma non troppo, é provavelmente aquele que mais se aproxima do verdadeiro significado da palavra “pastoral”. É interessante notar que, até à data da publicação desta obra, Beethoven nunca havia escrito “non troppo”, o que muito claramente nos trasmite a ideia de que esta indicação era bastante importante para ele. Todo este andamento apresenta vários episódios interessantes e divertidos, aventurosos até, com ambientes, ritmos, harmonias e texturas contrastantes. A coda (Più Allegro) é a passagem mais virtuosa de toda a sonata. Este último momento finaliza, de uma forma brilhante, uma sonata que, no seu geral, se apresenta de forma calma e “pastoral”.

— Bernardo Marques

Umberto Giordano no filme Philadelphia



— "La Mamma Morta" in Umberto Giordano, Andrea Chénier