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Salome foi recebida com reacções contrastantes. Por um lado foi um sucesso, garantindo inúmeras apresentações nos principais teatros de ópera e, simultaneamente, consolidando a reputação do seu compositor; por outro, o tema da ópera, assente na figura mítica de Salomé, causou enorme escândalo. A obra chegou a ser banida em vários teatros, tendo para isso contribuído a abordagem às secções mais ousadas do texto de Wilde: a dança erótica dos sete véus, aludindo à nudez integral, e a cena de amor de Salomé com a cabeça de S. João Baptista, remetendo para a necrofilia, passagens que Strauss fez questão de manter e até enfatizar. Controvérsias à parte, Salome tornou-se um marco na carreira do compositor que abandonaria o modelo de Poemas Tonais, uma constante na sua obra até então, para abraçar definitivamente o género operático. Na sua harmonia cromática, melodia prosódica e complexidade orquestral, Strauss afirmava-se como um dos principais compositores germânicos, do início do século XX, numa linha de continuidade com a tradição operática wagneriana."
Texto Tiago Cutileiro, Marta Nunes



